FALA, PORTUGUÊS! Os negócios do ‘China’!

Não há quem não conheça o ‘Bar do China’.

O boteco, que já foi o ‘Bazar Nipon’, no cruzamento da av. Armando Sales com a rua Fadlo Jabur, esquina do GEMA, funciona desde o ano de 1966.

Sempre atrás do balcão, boné na cabeça e avental, quase sempre na cor verde em homenagem ao time do Palestra, está um senhor de dupla cidadania: brasileira e japonesa.

“Mas, por que China, então?”, perguntei.

“Foram os fregueses que puseram esse apelido por terem dificuldade em falar meu nome”, explica.

Entre passar manteiga num pão e outro, surge uma pausa para conversar, mas com a tradicional e quase irritante paciência oriental.

“A Segunda Guerra impediu os planos de meu pai de ir para o Japão, para onde eu também iria”, começa a contar.

Décadas depois, dois de seus quatro filhos com a saudosa esposa Massumi Mise: Marcelo e Cláudia para lá se mudaram e lá continuam: Hélio trabalha com informática em São Paulo e Lúcia, a única que ficou em Assis, lhe ajuda nas tarefas do bar. “Ela fica no bar, quando estou almoçando em casa”, diz.

A vida do menino que nasceu dia 11 de outubro de 1939, num sítio na Água do Palmitalzinho, perto de Maracaí, nunca foi fácil. Deixou a roça, onde, mesmo criança, ajudava o pai na retirada de leite e colheita de algodão e feijão.

Chegou em Assis em 1958 e, dois anos depois, já ajudava o pai, atrás do balcão do antigo Bazar Nipon. “Ali, vendia de tudo”, se lembra. O ponto comercial foi comprado de Belmiro Rosa.

Em 1966, o bazar foi reduzido a uma das duas portas e o bar começou a funcionar na esquina, onde está até hoje.

Há mais de 53 anos, Yosimi Mise, o ‘China’ acorda às 4 horas da madrugada para começar a preparar os salgados e limpar o bar, que começa a receber os fregueses às 5h45 em ponto. “Quando abro, já tem gente esperando para um cafezinho, um pão com manteiga ou salgado”, conta.

Atualmente, o movimento maior é no período da manhã, mas ele já precisou contratar um empregado no passado, quando dezenas de ‘saqueiros’ frequentavam seu bar.

Cheguei a vender quase 50 litros de cachaça num dia. Hoje, não vendo um gole”, diz.
Antes que alguém pense que é a crise, ele antecipa: “Não aguento mais pinguço”, e, como poucas vezes se viu, escancarou um sorriso largo no rosto enrugado pelos traços da labuta diária.

Nos últimos anos, ele fecha o bar ao escurecer, para poder descansar e se preparar pro outro dia.

PAIXÃO – Engana-se que acha que atrás do avental e sob aquele boné está uma pessoa idosa de vida sedentária.

Yosimi Mise, o ‘China’, além de ser um dos fundadores do Clube KaiKan, em Assis, e também um dos mais antigos integrantes do time de gateball. Foi duas vezes campeão brasileiro koreisha (master) e quase campeão das Américas. “Fomos eliminados pelo Peru por um ponto”, lamenta.

Sábado e domingo, quando as portas do ‘Bar do China’ estão fechadas, ele parte em direção ao KaiKan. Antes dos treinos e jogos, uma sessão de alongamento.

São dezenas de troféus e medalhas acumulados. “Só em 2018, foram 10 troféus de campeões”, orgulha-se. Um retrato empoeirado, pendurado na parede do bar, mostra a equipe campeã brasileira. Nela, estão: China, Teruake, Fujihara e Tsugio, que hoje mora na capital.

Atender os amigos e fregueses no bar e jogar gatebal no final de semana são os dois negócios do China, um patrimônio da Vila Xavier e de Assis.

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O comerciante Yosimi Mise, do Bar do China

Texto e foto: Reinaldo Nunes

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